criança fazendo birra

Criança fazendo birra: como identificar + principais erros dos pais

Quem lida com crianças sabe que a espontaneidade é uma das suas principais características.

Mesmo com personalidades únicas, elas tendem a expressar seus sentimentos de forma direta e, em alguns momentos, com certo exagero. 

Mas nem sempre esses sentimentos traduzem contentamento. 

Elas também se frustram e expressam a insatisfação de diversas formas, inclusive por meio das famosas birras. 

Saiba como lidar com esse comportamento, em qual fase elas ocorrem com maior frequência e, claro, o que não deve ser feito diante de uma criança fazendo birra.

Qual é a idade em que as birras começam?

Uma das grandes dúvidas dos pais é sobre a idade em que as birras começam.

Muitos já começam a se preparar antes mesmo que essa fase comece e outros sonham com o dia que ela irá acabar.

Mas será que existe mesmo uma idade certa em que as birras começam?

Segundo informações coletadas com pais de crianças pequenas pela Revista Crescer, na maior parte dos casos, as birras começam entre os 2 e 4 anos de idade.

Nesse período, percebe-se uma necessidade maior da criança testar limites e demonstrar seu descontentamento quando contrariada.

Vale destacar também que durante esse período é possível identificar o que foi definido pelo psicólogo suíço Jean Piaget como egocentrismo infantil.

Esse conceito diz respeito a uma ausência da percepção do outro, de suas necessidades e vontades. O que torna a sua própria vontade urgente e a única possível.

Isso significa que essa capacidade de enxergar as necessidades do outro ainda está em desenvolvimento.

Portanto, durante esse período, é de se esperar um grau maior de individualismo e de dificuldade em aceitar os limites.

Como identificar se a criança está realmente fazendo birra?

Quando falamos em desenvolvimento infantil e sobre comportamentos como a birra, não podemos deixar de mencionar que a educação é primordial na formação de crianças empáticas e conscientes dos limites.

Por isso, vale a pena lembrar também que a educação influencia no grau de dificuldade de cada criança em respeitar regras e lidar com proibições.

Assimilar limites é um processo e requer tempo até que a criança desenvolva uma capacidade total de lidar com o sentimento de frustração. 

Além disso, é preciso avaliar cada situação.

Existem condições internas e externas que podem desencadear uma reação exagerada da criança e não necessariamente se trata de uma birra.

Isso inclui, por exemplo, o cansaço.

É comum vermos crianças lutando contra o sono, principalmente quando estão cercadas de muitos estímulos.

Nesse caso, a dificuldade em “desligar” e se entregar para o sono é o que gera a reação e não apenas a necessidade de contestar ou manipular.

O comportamento de birra é uma tentativa de manipulação, na qual a criança força a vontade dela em oposição à vontade do outro.

Quem nunca presenciou aquele choro sem lágrima que acaba imediatamente na presença de um simples picolé?

Essa mudança repentina de comportamento após a vontade da criança ser feita é uma das principais características da birra.

Logo, diferenciar uma situação justificável de uma birra de criança é uma tarefa importante antes de tomar qualquer atitude.

Por que as crianças fazem birra?

Trata-se de uma reação. A psicoterapeuta Izabelle Filiozat explica que um episódio de birra é como uma tempestade no cérebro.

A criança ainda não consegue inibir os impulsos de seu corpo. 

Eles ocorrem independentemente da sua vontade e, durante a infância, faltam-lhe ainda recursos para administrá-los.

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A frustração, o fato de estar exausta, com fome, em locais com muito barulho ou muita gente, podem levar a uma reação de estresse, estimulando a liberação de adrenalina e cortisol no cérebro.

A birra acaba então liberando toda a tensão, tornando-se o único caminho encontrado por ela.

No entanto, birras frequentes podem ser sinal de outros problemas que a criança não consegue expressar.

Por isso, a forma de lidar com esses episódios fará toda a diferença no manejo desse comportamento.

O que fazer quando a criança faz birra?

Não há uma receita que dará certo para todos os casos. Porém, existem maneiras corretas de avaliar a situação e encontrar uma saída para ela.

Antes de tudo, avalie se o seu filho está realmente exagerando ou se há motivos para o seu desconforto.

Ele está pedindo algo que já tem, ou está irritado, com sono, fome ou calor? Muitas vezes, a mudança de ambiente já proporciona uma melhora.

Após identificar o que está gerando o comportamento, ajude a criança a nomear o que ela está sentindo.

Nomear sentimentos é uma tarefa constante para quem lida com crianças. Afinal, existe uma distância entre sentir e saber o que está sentindo.

Portanto, é preciso deixar claro para a criança que você está vendo que ela está frustrada, mas que esse comportamento não vai ajudá-la a conseguir o que quer.

Incentive-a a se acalmar e expressar o que sente de outra forma.

Para isso, é preciso muitas vezes dar espaço e esperar a reação passar.

3 erros dos pais ao tentarem lidar com as birras de crianças

Apesar de ser um comportamento comum, nem todos os pais sabem o que fazer quando a criança faz birra.

Diante de um escândalo, muitos adultos também cometem falhas que não funcionam e que podem, até mesmo, piorar o comportamento.

Veja abaixo 3 desses erros e identifique se você também já os cometeu alguma vez ou prepare-se para evitá-los caso as birras estejam por vir.

1) Desesperar-se 

Entrar em desespero e medir força com a criança durante a crise é uma das piores formas de lidar com a birra.

Embora seja realmente difícil ver o seu filho fazendo escândalo na rua ou se jogando no chão do shopping, é preciso ter calma para controlar um episódio como esse.

2) Ignorar

Assim como não é bom se desesperar e batalhar com a criança durante a birra, negligenciar ou ignorar o que está acontecendo também não é uma boa escolha. 

Fingir que não está vendo pode incentivar inclusive a criança a aumentar a intensidade até que seja ouvida.

3) Brigar

Bem como o desespero, a irritação é um dos piores sentimentos no momento em que a criança começa a fazer escândalo.

Naturalmente, é impossível não reagir a essa situação.

Porém, demonstrar irritação e brigar com a criança durante a birra não irá ensiná-la a controlar as suas reações de frustração, apenas amedrontá-la ou aumentar ainda mais essa sensação.

Como foi dito anteriormente, existem diversos componentes associados a episódios de birra. Dentre eles, o componente neurológico.

Portanto, assim como é desconfortável para quem está perto, é também para a criança que está sentindo essas emoções exageradas.

O melhor caminho é sempre acalmar a criança e tirá-la de perto do estímulo ou do ambiente em que está.

Vale lembrar que uma educação com base em diálogos, limites bem definidos e rotina organizada é a melhor maneira de prevenir a frequência de episódios.

Veja também: A importância do diálogo entre pais e filhos

Porém, uma criança fazendo birra com muita frequência e intensidade pode indicar a necessidade de buscar uma ajuda profissional.

Gostou do artigo? Fique à vontade para deixar a sua dúvida ou sugestão, caso também esteja presenciando esse comportamento de birra em seu filho.

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1 Comentário

  1. Adorei o artigo! Muito bom!

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