fase dos porquês

Fase dos porquês: quando acontece e como lidar

“Por quê?”. Essa é a pergunta que muitos pais e responsáveis já tiveram ou terão que responder às crianças. 

A fase dos porquês é uma etapa natural da vida dos pequenos e que, mais cedo ou mais tarde, vai acontecer. 

Afinal, a criança está descobrindo o mundo que a cerca e já possui o vocabulário para externar toda a sua curiosidade.

E já entrando na brincadeira… Mas por que essa fase acontece? 

Quando ela costuma ocorrer? 

Quais são os tipos de porquês e qual é a importância de incentivar as crianças a questionarem as coisas ao seu redor? 

Conheça os porquês a seguir. Acompanhe!

Fase dos porquês: por que e quando acontece?

A fase dos porquês é um processo natural, que costuma acontecer por volta dos três anos de idade. 

Desde que nascemos, somos seres curiosos e, assim que vemos algo que nos intriga, vamos atrás de respostas.

A curiosidade das crianças não aparece de um dia para o outro

Ela é construída ao longos dos anos e se manifesta de maneira clara quando elas começam a falar e buscam compreender o mundo que as cerca.

Um dos maiores pesquisadores da educação e da pedagogia, Jean Piaget chama a fase dos porquês de período pré-operatório. Basicamente, trata-se da fase em que as crianças percebem mais estímulos e recebem mais informações do que conseguem compreender a absorver.

Sendo assim, nada mais natural que buscar conhecimento, especialmente naqueles com quem elas passam mais tempo e se sentem mais seguras: pais, tios, avós etc. 

Ao indagar tudo a todo instante, as crianças estão apenas tentando entender quem elas são, quem são os outros, quais são as regras e como funciona o mundo em que vivem. 

Ou seja, trata-se de uma fase de construção da sua identidade.

Mais do que uma fase da vida, essa curiosidade é uma ferramenta natural que ajuda a aprimorar seus mecanismos mentais, levando-as a fazerem novas descobertas e a manterem-se curiosas e criativas.

Os tipos de porquês

Nem todo o porquê é igual. Assim como o choro dos bebezinhos tem pequenas variações que indicam diferentes vontades, necessidades e angústias (fome, fralda suja, medo, solidão etc.), as perguntas feitas pelas crianças na fase dos porquês também têm suas peculiaridades.

Embora não exista um estudo científico que comprove isso, muitas mães têm o mesmo relato: existem três tipos de porquês diferentes e cada um deles exige um tipo de resposta dos pais. 

Nesse sentido, vale destacar que os porquês das crianças não têm, necessariamente, o mesmo significado que têm para os adultos.

O que isso quer dizer? 

Crianças que começam a se arriscar com suas primeiras palavras costumam utilizar termos de formas diferentes do que nós. 

“Au au”, por exemplo, pode ser usado tanto para definir cachorros como qualquer outro animal que ande em quatro patas.

No entanto, assim que as crianças começam a construir um vocabulário mais refinado e conseguem compor sentenças, é comum interpretarmos o que elas têm a dizer da mesma forma como um outro adulto diria. 

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Mas não é bem assim…

Ao perguntar “por quê?”, a criança normalmente não está buscando uma resposta objetiva e direta ao seu questionamento – atitude que, aliás, dificilmente a satisfaz. E é aqui que entram os diferentes tipos de porquês e o que eles significam. São eles:

1) Atenção

Crianças são espertas e sabem como chamar a atenção dos adultos. Se bebês muitas vezes choram e fazem birra para atrair a atenção da mãe, crianças na fase dos porquês costumam fazer isso por meio de perguntas intermináveis.

Esse tipo de porquê é facilmente detectável pois, logo após a resposta, vem outra pergunta em seguida, geralmente transformando a própria resposta dos pais em outro questionamento.

Por exemplo:

  • Pergunta: por que a gema do ovo é amarela?
  • Resposta: por que é do ovo que vêm os pintinhos.
  • Pergunta: por que os pintinhos vêm dos ovos?

Nesses casos, os pais precisam entender que não é uma resposta que a criança está buscando. Ela quer apenas interagir e ter um pouco de atenção.

Um jeito didático de encerrar a sequência de perguntas e respondê-las com outro questionamento

Isso faz com que as crianças mudem o foco e comecem a criar suas próprias teorias. Eventualmente, ela vai acabar voltando ao porquê da dúvida – ou se cansando!

2) Desafio

Este é o porquê típico da desobediência. É quando a criança questiona coisas que não deveriam ser questionadas – ou ao menos assim os pais esperam –, como “por que tenho que ir dormir agora?” ou “por que tenho que colocar minhas calças?”.

Nesse caso, há duas saídas, se os pais perceberem que o objetivo é apenas desafiar suas ordens: a primeira é ir direto ao ponto. Afinal, o objetivo das crianças é ganhar tempo com explicações e, por sorte, levar a conversa para o primeiro tipo, o porquê para chamar atenção.

A outra alternativa é devolver os porquês para que a própria criança tente explicar. 

Assim, quando ela diz que não quer comer, a mãe poderá perguntar-lhe o porquê; se não quer tomar banho, poderá também utilizar uma pergunta e, assim, mostrar que nem tudo pode acontecer da forma como ela deseja.

3) Dúvida

É o porquê que a criança pergunta quando realmente tem uma dúvida e quer entender alguma coisa

Perguntas comuns como “por que o céu é azul?” ou “por que cai água do céu quando chove?” são formas que a criança tem para entender o mundo ao seu redor.

Como comentamos, a criança não está buscando uma resposta objetiva e cientificamente acurada. 

Ao lançar mão desse porquê, ela está dizendo “Isso me interessa! Podemos falar mais sobre isso?”.

É importante sempre ter em mente a curiosidade que rege a vida das crianças. 

Por isso, ao serem indagados com esse tipo de porquê, os pais devem ser pacientes, evitar respostas complexas e aproveitar para criar um verdadeiro storytelling que entretenha seus filhos e os incentive a questionar as coisas ao seu redor.

A importância de “dar corda”

Na fase dos porquês, é fundamental que os pais tenham paciência e evitem deixar a criança sem respostas – independentemente do tipo de porquê que lhes foi lançado.

Perguntar é um processo natural que colabora para o desenvolvimento cognitivo das crianças.

Veja também: A importância do diálogo entre pais e filhos

Se elas são repreendidas por perguntarem demais ou são deixadas sem resposta, isso representa uma barreira à sua curiosidade e pode fazer com que elas se sintam desvalorizadas e inseguras, fato que pode prejudicar seu processo de aprendizagem.

Veja o lado bom da fase dos porquês

A fase dos porquês é importante e merece atenção. É essencial que pais e responsáveis estimulem a curiosidade e a sede de conhecimento nas crianças.

Para isso, é necessário muita paciência e criatividade, ajudando os pequenos a se desenvolverem.

Se você ficou com alguma dúvida em relação à fase dos porquês ou quer compartilhar alguma experiência que teve com o seu pequeno, fique à vontade para deixar um comentário abaixo!

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