vídeo sobre igualdade de gênero

Igualdade de gênero para crianças: 4 dicas para ensinar o conceito para os seus filhos

Dialogar sobre igualdade de gênero para crianças é um processo fundamental para redefinir padrões e ajudar a construir personalidades longe do machismo

Mais do que isso: é uma caminhada com potencial de ampliar o acesso das mulheres a mais oportunidades, diminuir drasticamente os números de violência doméstica e feminicídio e ainda contribuir para a economia global. 

Mas não para por aí. 

A ONU, ao definir seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), elenca a igualdade de gênero como o quinto dos 17 objetivos a serem alcançados até 2030. 

É por todos esses motivos (e tantos outros que iremos abordar neste artigo) que discutir a igualdade de gênero para crianças e incentivar as práticas de respeito às diferenças desde cedo podem contribuir para uma sociedade mais plural e livre de pressões e estereótipos

Vem descobrir algumas dicas para começar a introduzir este assunto dentro de casa?

Por que devemos falar sobre igualdade de gênero com crianças 

igualdade de gênero para crianças

Inúmeros setores da sociedade se beneficiam a partir do momento em que passamos a falar sobre igualdade de gênero com crianças. 

Para se ter uma ideia, levantamento divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que se a desigualdade entre homens e mulheres fosse reduzida no mercado de trabalho, a taxa de emprego aumentaria e, por consequência, o PIB Global também. 

A saúde é outra área que pode se beneficiar com o fim da desigualdade de gênero. Conforme um estudo que analisou dados de 219 países, melhorar o acesso à educação para meninas tem o potencial de reduzir a mortalidade infantil.  

Lembra quando falamos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS)? Pois até mesmo o meio ambiente teria motivos para ser grato se a humanidade oferecesse oportunidades iguais para todos. 

Segundo o projeto Drawdon, ONG líder de informações sobre soluções climáticas, a educação de meninas é a sexta forma mais eficiente de reduzir a poluição por carbono até 2050. 

Mas o diálogo sobre igualdade de gênero para crianças vai além dos benefícios para esses setores e contribui para a formação de suas personalidades.

A partir do momento em que os pais entendem que as características atribuídas a meninos e meninas são culturais e não biológicas, eles têm mais facilidade para criar meninos livres, que não sejam obrigados a jogar futebol e podem chorar sem serem julgados. 

O mesmo vale para as meninas que terão a opção de brincar de boneca ou não e vão, sim, dividir com o irmão as tarefas domésticas em casa. 

Definir na infância como meninos e meninas deveriam se comportar traz consequências para os dois lados. 

Ao serem constituídos como homens fortes que não podem chorar, eles podem expressar algum nível de violência para se afirmar como homem. Já para as meninas, o papel de cuidadora pode as fazer pensar que o casamento é a única saída. 

Melhora expressiva no desenvolvimento

No artigo, Como Educar as crianças para a igualdade de gênero, especialistas afirmam que reduzir as atividades conforme o sexo biológico pode prejudicar o desenvolvimento da criança.

Brinquedos tradicionalmente direcionados a meninos tendem a desenvolver senso de direção e brinquedos femininos, incentivam mais a sociabilidade e o cuidado.

Conforme Lise Eliot, professora de neurociência da Chicago Medical School, independente do sexo, toda criança tem direito de atingir seu potencial máximo, praticando qualquer tipo de esporte e brincando com qualquer brinquedo. 

4 dicas para ensinar igualdade de gênero para os filhos

Antes de ver as dicas, não deixe de assistir a esse vídeo elaborado pela ONG Plan International, que faz o uso de animações e desenhos para explicar a importância de uma educação que promova a igualdade de gênero na infância.

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1) Misture os brinquedos

Faça o inverso e misture os brinquedos em casa. 

Essa prática amplia as possibilidades de ser e pode refletir na maneira como a sociedade vai se organizar. 

A especialista em sociologia política e cultura, Marília Lamas, afirma que se você limita as possibilidades e a oferta de brinquedos pelo gênero, limita também a possibilidade de sonhar da criança. 

2) Mostre outros personagens além dos estereotipados

Expor as crianças a personagens não estereotipados pode ser uma alternativa para, desde cedo, elas entenderem que a princesa não precisa ser salva pelo príncipe. Veja algumas dicas:

  • Moana: É uma princesa sem príncipe que precisa desconstruir estereótipos e romper preconceitos para cumprir uma missão que a avó lhe deu. O filme é cheio de simbolismos e empoderamento feminino. 
  • Frida Kahlo: pintora mexicana que rompeu que confrontou em seu modo de vida e em sua obra os padrões de gênero da época em que viveu. Há inúmeras produções literárias infantis que dão conta de relatar a história da artista com ilustrações e narrativas didáticas. 
  • Histórias de ninar para garotas rebeldes:  Livro reúne 100 histórias sobre a vida de mulheres extraordinárias do passado e do presente para inspirar crianças e pré-adolescentes a alcançarem seus objetivos. Madamme C. J. Walker (primeira mulher milionária dos EUA), Ada Lovelace (matemática inglesa), Malala (ativista paquistanesa), Chimamanda Adiche (escritora nigeriana) e muitas outras mulheres são apresentadas nesta obra que já conta com as edições 1 e 2. 

3) Divida as tarefas domésticas

Dividir o trabalho doméstico igualmente em casa, pode redefinir os padrões de comportamento para esta e a próxima geração. 

Se você tem um menino, incentive desde cedo que essas tarefas também sejam de sua atribuição. 

Além disso, mostre a importância desse processo para o seu futuro, já que, ao aprender a se virar, ele não dependerá dos pais. 

Se a constituição da sua família for casal heterossexual, dê o exemplo, e mostre a seus filhos que atividades como lavar a louça ou a roupa, varrer e faxinar são bem divididas. 

Lembre-se: o IBGE aponta que as mulheres brasileiras trabalham, em média, três horas por semana a mais do que os homens, considerando os afazeres domésticos e cuidados com pessoas. É somente com essa desconstrução em casa que as mulheres terão mais acesso a recursos e oportunidades de liderança lá na frente.  

4) Converse e incentive-as a externar as emoções

Mesmo que sejam criadas em um ambiente sem estereótipos de gênero em casa, as crianças ainda recebem mensagens na mídia, na escola e também na convivência com os colegas. 

É por esse motivo que apenas dar um exemplo não é o suficiente. Os pais precisam apontar e falar sobre estereótipos de gênero explicitamente com seus filhos.

Leia também: A importância do diálogo entre pais e filhos: saiba como estimular a conversa

Outro ponto importante é que as crianças precisam saber que podem externar suas angústias e tristezas e que, óbviamente, não existe sentimento de menina ou de menino.

Ambos os sexos podem chorar e colocar para fora aquilo que incomoda. 

A maioria das crianças tende a ser gentil, empática e compassiva. Não se trata, portanto, de mudá-las. Apenas de manter e incentivar essa sensibilidade. 

Longe de estereótipos, próximo da essência

Ensinar igualdade de gênero para crianças é uma tarefa que exige um contínuo esforço dos pais. 

Trata-se de um caminho novo em que é preciso questionar hábitos tidos como naturalizados e mostrar todas as possibilidades que os pequenos têm. 

Em resumo, é educar a criança para uma educação mais livre, distante dos padrões e próxima de sua verdadeira essência. 

Leia, busque referências e compartilhe experiências com pais e professores. 

Vivemos um momento em que muitos padrões tidos como inabaláveis ao longo de décadas estão sendo quebrados. 

O futuro da humanidade depende dessa educação. 

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