palpites na maternidade

Palpites na maternidade: 7 dicas de como lidar com o furacão de opiniões

“Sua barriga está pequena, seu bebê pode não crescer muito” ou “Sua barriga está muito grande, ele pode ser obeso”. “Se não for parto normal, será menos mãe” ou “Seu leite é fraco, por isso não está mamando direito”.

A avó, a sogra, a dinda, a vizinha, a babá e até desconhecidos insistem em despejar um furacão de palpites – mesmo sem serem solicitados. 

O que pode ser dito com a intenção de “aconselhar”, na verdade, pode estar causando insegurança, ansiedade e sofrimento para gestantes e mamães.

A prática é também conhecida por mom-shaming

Não tem uma tradução literal do inglês, é a junção de “mom” (mãe) e “shaming” (constranger ou envergonhar). Representa uma forma de assédio, em que o objetivo é constranger ou humilhar mamães

É preciso discutir o conceito para que mulheres possam refletir e desfazer algumas culpas que necessariamente não são delas.

Para as futuras mamães ou quem está vivendo esse momento, confira 5 dicas de como lidar com o furacão de opiniões na maternidade, os principais palpites e tudo sobre o conceito de mom-shaming.

Mom-shaming: vai muito além de um simples palpite 

O termo mom-shaming sintetiza os palpites que as mães recebem mesmo sem pedirem por eles. 

Normalmente, os pitacos são dados por quem se considera mais experiente na maternagem.

O furacão de palpites começa já na gestação, como o tamanho da barriga, a alimentação e os hábitos da mãe, passa pela escolha do tipo de parto e segue após o nascimento do bebê, sobre amamentação, introdução alimentar e até escolhas bem pessoais, como contratar babá ou colocar num berçário.

“É preciso ter cuidado para corrigir sem ofender. Entendo que as pessoas querem ajudar. Mas eu aproveito o momento em que a gestante está mais sozinha no exame para esclarecer pontos como a inexistência de leite fraco, por exemplo. Sempre digo que ela será a melhor mãe que puder ser”, afirmou o obstetra Paulo Pontremolez em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

O mom-shaming pode provocar danos bem significativos para as mamães que, vale lembrar, já estão passando por um turbilhão de transformações no corpo, na relação com o marido, com o trabalho e, ainda, com a quantidade enorme de hormônios.

Os principais efeitos causados são insegurança, humilhação, frustração, irritabilidade, ansiedade e raiva. 

Além disso, pode causar atrito entre amigas, mães e sogras e até com o marido. O resultado disso tudo é sofrimento.

61% das mães afirmam terem sido criticadas pela forma de criação, segundo pesquisa.

O Hospital C.S. Mott Children, da Universidade de Michigan, realizou uma pesquisa em 2017, nos Estados Unidos, com 475 mães de crianças de zero a 5 anos de idade, questionando se elas, alguma vez, foram questionadas sobre a criação dos filhos. 

Veja as conclusões:

  • A maioria das mães (61%) afirma ter sido criticada por suas escolhas enquanto mães; 
  • Os palpites vieram, com mais frequência, da própria família. 37% foram da mãe ou do pai, 36% do cônjuge e 31% dos sogros. Apenas 14% vieram de amigas, 12% de outras mães que encontraram em público e 7% de comentários nas redes sociais;
  • A disciplina é o tópico criticado com mais frequência, relatado por 70% das mães. Outras áreas mais citadas foram dieta e nutrição (52%), sono (46%), amamentação versus mamadeira (39%), segurança (20%) e cuidados com as crianças (16%);
  • Como resultado, a maioria busca conhecimento adicional sobre os palpites, seja procurando informações em si (60%) ou perguntando a um médico (53%), e 37% fizeram uma mudança na maneira como são mães. 
  • Enquanto 67% das mães dizem que as críticas fizeram com que se sentissem mais fortes em relação às suas escolhas, 42% indicam que os palpites faziam com que se sentissem inseguras. 
  • Metade das mães diz que evita certas pessoas que são críticas, enquanto 56% deixaram de criticar outras mães depois de sofrer críticas.

Após a divulgação dos resultados, uma das coordenadoras da pesquisa Sarah Clark deu um conselho:

“As mães podem ficar impressionadas com tantas opiniões conflitantes sobre a ‘melhor’ maneira de criar um filho. Os conselhos não solicitados – especialmente das pessoas mais próximas ao filho – podem ser entendidos como significando que ela não está fazendo um bom trabalho como mãe. Isso pode ser prejudicial.”

17 palpites que podem prejudicar a maternidade 

lista de palpites na maternidade

Depois de entender por que os palpites não são tão bem-vindos quanto você pode achar, veja exemplos de comentários e perguntas que, ainda que bem intencionados, podem prejudicar a maternidade.

Na gestação:

  1. “Sua barriga está pequena, seu bebê pode não crescer muito”
  2. “Sua barriga está muito grande e a criança pode ser obesa”
  3. “Se você não passou pelo ritual do parto normal, será menos mãe”
  4. “Você é muito miudinha, duvido que conseguirá fazer o parto normal”
  5. “Você já tem uma certa idade, já é mais velha, talvez seja melhor fazer cesárea”

Na amamentação:

  1. “Por que você escolheu a fórmula quando a amamentação é melhor e mais barata?”
  2. “Se não está conseguindo amamentar, é porque não está se esforçando”
  3. “Acho que seu leite é fraquinho para o bebê”
  4. “Se você não conseguir amamentar exclusivamente no seio, terá fracassado”
  5. “Desista de amamentar no peito, você não é capaz. Dê logo ‘fórmula'”
  6. “Você já vai parar de amamentar?”

Na criação:

  1. “Seu bebê chora muito. Não será cólica? Não será fome?”, etc.
  2. “Se você fizer isso, seu bebê está ficando mimado”
  3. “Você não está preocupada que ele ainda não esteja engatinhando?”
  4. “Você colocou babá para tomar conta do seu filho? Por que quis ser mãe, então?”
  5. “Você tem coragem de deixar seu filho na escola o dia inteiro e ir trabalhar?”
  6. “Você não deveria permitir que ele veja esse programa ou mexa no celular”.

Essas são algumas das frases que podem ter impactos negativos e trazer muita insegurança para mães. Há muitas outras que aparecem em contextos variados. Na dúvida, melhor não comentar.

7 dicas para lidar com os palpites na maternidade

Via de regra, situações como as mencionadas acima irão aparecer, uma hora ou outra. Nem sempre é fácil lidar com elas, principalmente se for mãe de primeira viagem.

Para lidar melhor com esses palpites na maternidade, listamos algumas dicas para minimizar o estresse que podem causar.

1. Filtre e abstraia

Dificilmente você passará impune pelos palpiteiros, porque a família, os amigos e as redes sociais estarão sempre por perto. 

Por isso, a primeira dica é ouvir e tentar filtrar os comentários. Afinal, a troca de informações pode ser benéfica e ajudar a lidar com temas inéditos.

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Entretanto, sabemos, grande parte dos palpites é sobre algo que você já sabe ou não concorda, pois já tomou suas decisões. Com isso, a melhor estratégia é abstrair. O famoso “deixar entrar num ouvido e sair pelo outro”.

2. Confie em si mesma e no seu instinto

Cada criança é única e faz birra quando bem entender. Não há ninguém que conheça melhor suas necessidades, além da própria criança, do que os responsáveis por ela – ou seja, você mesma. Por isso, é preciso que você confie em si mesma para fazer e assumir suas escolhas. 

Ouça seus instintos e siga o que você acredita, sem medo, claro, de mudar de ideia e tentar diferente. 

Confiar em si mesma vai fazer com que seu filho também confie em você. Num ciclo virtuoso, esse laço e essa confiança só aumentarão.

3. Procure informações em fontes confiáveis

A pesquisa americana citada lá em cima já disse que muitas das mães vão atrás de mais informações quando são vítimas de mom-shaming. E estão completamente certas!

Claro que o instinto conta e a experiência de cada mulher é única. Mas não tenha medo de procurar conhecimento – sempre de olho para ver se a fonte é confiável – e tirar dúvidas. 

Pode ser em blogs, como esse, em artigo ou com um profissional. O importante é que essas informações te deixem mais segura de suas escolhas.

4. Faça e refaça quantas vezes for preciso

Está tudo bem errar. 

Não há decisão certa. 

Não há garantias de que tudo vai dar certo. 

Aliás, os erros, às vezes, te empurram para novos acertos, aprendizados, melhores experiências.

Cada criança é única e reage de uma forma. Você e seu filho estão aprendendo, juntos, a lidar com todas as conquistas e adversidades do dia a dia.

5. Compartilhe as responsabilidades

As crianças, principalmente quando recém-nascidas, são colocadas sob grande responsabilidade das suas mães. Mas você não é a única responsável.

Se tiver um cônjuge, lembre a si mesma e a ele que as escolhas também são dele. 

Além disso, é importante ter apoio de um bom médico, em quem você confie e tenha a mesma linha de pensamento que você acredita.

Além disso, selecione pessoas com as quais você pode desabafar – seja a sua mãe, a sua sogra, uma amiga – seja sobre a privação do sono ou as dúvidas da amamentação sem ser julgada.

6. Se posicione

Por fim, se posicione sobre uma crítica ou palpite com os quais você não concorda ou não te fazem bem. Ignorar pode perpetuar o comportamento do outro. 

O melhor caminho é argumentar, seja contraponto os comentários com informações ou, mesmo, deixando claro a sua decisão em relação ao próprio filho. 

Nem tudo é ciência e os outros não têm passe livre para dar pitaco na sua vida.

7. Procure ajuda profissional

As dicas acima funcionam, mas nem sempre é possível colocá-las em prática da forma como queríamos.

Se as coisas não estiverem indo bem e você sentir culpa, não hesite em procurar ajuda de um terapeuta com quem você possa desabafar, que entenda a fase pela qual você está passando e vá lhe dar conselhos sem julgamentos.

Você é a melhor mãe que o seu filho pode ter

Ser mãe já é um desafio enorme sem ter de lidar com constrangimentos por um furacão de palpites alheios. 

Por isso, o que as pessoas acham ou querem saber sobre a maternidade alheia, mesmo que tenha a melhor das intenções, pode ser bastante prejudicial a uma mãe. 

Se você for mãe, saiba que você é a melhor mãe que o seu filho pode ter, com certeza. 

Lembre-se que é fundamental conseguir fazer o filtro dos comentários, porque eles serão inevitáveis. E você merece viver a maternidade da melhor forma possível.

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